Agricultor ajudou a construir escola na comunidade da Limeira

O pioneiro Doílio Pereira Lopes é nascido na cidade de Imbituva (PR), no dia 21 de abril de 1937. Filho de Henrique Pereira Lopes e Andrina Rosa Pereira Lopes, ele veio para Pitanga aos 20 anos de idade. Casou-se com Antonia Maritz Lopes, com quem teve 9 filhos: Ademir Valdemar, José Claudir, Maria Neroli, Renê Roque, Neiva Aparecida, Rosana, Claudemir, Ivan Edinaldo e Edina Cristiane; tem 9 netos e 1 bisneto. Em entrevista ao Paraná Centro, Doílio Lopes conta como foi sua vida desde sua chegada a Pitanga.

Doílio Lopes

Doílio Lopes

Paraná Centro - Como era a vida do senhor em Imbituva?

Doílio Lopes - Eu morava com meus pais e irmãos em um sítio pequeno e plantávamos milho, feijão, batata e cebola.

Paraná Centro - E como foi sua vinda para Pitanga?

Doílio Lopes - Acho que cheguei aqui em 1957, há cerca de 60 anos. Vim sozinho, visitar um parente meu, o Nagib Teixeira, primo da minha mãe, e morava aqui fazia uns 5 anos. Lá em Imbituva, para plantar, a gente arava a terra com cavalo e carpia para limpar o terreno. E aqui era diferente, eles roçavam, colocavam fogo, depois plantavam. Também tinha muito mais mato do que lá. Quando cheguei, fui trabalhar na fazenda do falecido Pedro Costa; depois de um tempo fui morar com o cunhado do meu primo, Alcindino Soares, para quem eu fiquei trabalhando. Ele me dava o terreno para trabalhar, comida e local para dormir e a gente dividia a produção em três partes, sendo duas para ele e uma para mim. Consegui cultivar 9 alqueires de terra e, com aquele dinheiro, comprei o direito de uma propriedade de 80 alqueires, no Borboleta Abaixo. Essa era uma área descampada, mas que havia sido invadida e quando fui tomar posse, havia no local umas 25 famílias assentadas. Mas como não tinha muita paciência, consegui tirar todos de lá, para que eu pudesse tomar posse.

Registro do casamento de Doílio e Antônia

Registro do casamento de Doílio e Antônia

Paraná Centro - Mas como o senhor resolveu montar um armazém na região da Limeira?

Doílio Lopes - Alguns meses depois um irmão veio me visitar. Ele estava indo para Guarapuava e resolveu posar aqui, para pegar um ônibus para ir para Guarapuava. Naquela época, gastava o dia para ir para aquela cidade. Mas, na estrada, resolvemos comprar um bar. Nos dois éramos solteiros e fomos até um bar, que era de um tal de Oliveirão. Ficamos sabendo que ele estava parando com o negócio. No entanto, ele não queria vender o estabelecimento, pois queira desmanchar o bar para plantar e não atrapalhar a visão que ele tinha do terreno. No entanto, ele indicou outro bar, que o dono queria vender e que ficava perto de uma serraria. Fomos para lá e conversamos com o dono, um tal de Romão; conseguimos fechar o negócio e fiquei com o bar por 36 anos.

Paraná Centro - E tinha muita freguesia esse bar?

Doílio Lopes - Depois que eu assumi o bar sim, fomos colocando mercadorias e virou um armazém; toquei o negócio por 36 anos e só parei porque tive um derrame e precisei me mudar para a cidade. Quando comprei o bar, só tinha bebida, pouco tempo depois fomos colocando mais mercadorias, como secos e molhados, tecidos e outros produtos, tudo o que precisava naquela época; e depois de uns anos já tinha um armazém muito bom. A freguesia também era boa, pois perto dali havia uma serraria com de mais de 50 funcionários e todos compravam no armazém, sem contar as pessoas que moravam no interior; naquela época havia muitos sitiantes naquela região.

Paraná Centro - Qual era a principal diversão do povo naquela época?

Doílio Lopes - Era baile e briga (risos). Onde havia um aglomerado de pessoas, começava um baile e enquanto uns dançavam, outros brigavam.

Paraná Centro - O senhor ajudou a construir uma escola naquela região?

Doílio Lopes - Sim, cedi um pedaço de terra para a construção de uma escola e uma professora deu aula lá por muito tempo. Quando entrou a lei para acabar com a escola do interior, eu já tinha passado o terreno para a prefeitura, mas o prefeito, na época, acabou me devolvendo a terra. A escola funcionou por mais de 30 anos. Eu resolvi ceder o terreno, porque eu tinha muitos filhos, que também precisavam de um lugar para estudar e, com a escola perto de casa, ficava mais fácil para eles estudarem. A prefeitura construiu a escola, que se chamou Santo Antônio. Um dos meus filhos, Renê Lopes, estudou e foi professor nessa escola. O espaço também era usado para a celebração das missas.

Doílio Lopes e esposa Antônia

Doílio Lopes e esposa Antônia

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