Ex-prefeito conta um pouco de sua história em Pitanga

O agricultor Reinaldo Petrechen nasceu em Pitanga em 4 de setembro de 1928. Filho de Alexandre Petrechen e Luiza Petrechen, é casado com Maria de Lourdes, com quem tem 5 filhos: Luiz Carlos, Rubens, Paulo, Márcia e Josiane; tem 10 netos e 12 bisnetos.

Petrechen foi prefeito por dois mandatos e vereador no município. Em entrevista ao jornal Paraná Centro, ele conta um pouco da sua história no município.

Reinaldo Petrechen foi prefeito por dois mandatos em Pitanga

Reinaldo Petrechen foi prefeito por dois mandatos em Pitanga

Paraná Centro - Em que ano seus pais vieram para Pitanga?

Reinaldo Petrechen - Meus pais vieram para cá em 1924, bem no início da colonização de Pitanga. Meu pai veio da Ucrânia e chegou ao Brasil com 4 anos de idade, com a imigração, em Prudentópolis; minha mãe também era europeia, mas ela e meu pai se encontraram no Brasil. Naquele tempo era tudo muito complicado, o único meio de transporte que existia era a carroça e uma viagem entre Guarapuava até Pitanga demorava cerca de 3 dias. Quando meus pais chegaram, Pitanga era um pequeno povoado, com apenas duas pequenas casas de comércio. Nessa época, houve uma invasão de índios, que queriam tomar parte da cidade à força, e aconteceu um confronto sangrento; morreram alguns moradores e muitos índios. Esse conflito fez com que o processo de colonização fosse paralisado. Pitanga foi um dos municípios que mais demorou a ser colonizado, pois além de estar no centro do Estado, não havia comunicação, nem estradas.

Paraná Centro - Que atividade seus pais vieram desenvolver em Pitanga?

Reinaldo Petrechen - Meu pai era ferreiro, pois o meio de transporte era a carroça e a ferraria era como se fosse a oficina dessas carroças. Depois de um tempo, ele foi adquirindo alguns pedaços de terra, onde a família foi se acomodando e crescendo. Infelizmente ele morreu novo, aos 66 anos de idade.

Paraná Centro - Qual a primeira lembrança que o senhor tem de Pitanga?

Reinaldo Petrechen - Não existia sala de aula em Pitanga e meu pai contratou uma professora, que, na verdade, era uma pessoa que sabia ler e escrever, para nos ensinar. Quando eu estava com 8 anos de idade, foi construído um grupo escolar na cidade. Nossa casa ficava a uns 4 quilômetros e nós íamos lá estudar. Eu estudei até o quarto ano primário (Ensino Fundamental), aqui não tinha ainda o ginásio e meu pai não tinha condições de nos mandar para estudar fora. Mas minha infância foi muito interessante, pois meu pai era muito trabalhador e fazia a gente trabalhar também. Depois que terminei o quarto ano, eu ajudava na roça e no serviço de casa. Aos 13 anos, surgiu uma oportunidade de emprego; um tio, chamado Adão Bassani, montou um açougue em Pitanga e eu fui trabalhar com ele. Naquele tempo não existia máquina, o boi era abatido com machado e o próprio açougue fazia os embutidos como linguiça e salame, e tudo de forma manual. Depois de uns dois anos, ele vendeu o açougue e um comerciante, que tinha uma loja do lado, chamado Maurício dos Santos, me convidou para trabalhar em seu comércio, onde fiquei até meus 17 anos. Depois fui servir o “Exército”, fiquei uma semana e fui dispensado. Mas quando retornei, esse meu ex-patrão já tinha contratado outro empregado e voltei a trabalhar na roça, com a engorda de porcos. Cerca de um ano depois, outro comerciante, chamado Pedro Pauluk, me convidou para trabalhar com ele. Depois que me casei e já estava com um filho pequeno, ele vendeu o comércio e eu fiquei desempregado. Nisso, meu pai resolveu vender alguns pinheiros e montarmos uma casa de comércio, a Casa Santa Luiza. Eu já tinha bastante prática do comércio e facilidade para comprar e para vender, pois nos dois empregos anteriores, com poucos meses de prática, já tinha assumido essa questão da compra e venda das mercadorias e também tinha bastante conhecimento no comércio.

Paraná Centro - Como foi sua entrada na vida política?

Reinaldo Petrechen - Como eu tinha casa de comércio, era bem conhecido na cidade e tinha contato com muitas pessoas. Um amigo, Manoel Carlos Kichener, que trabalhava na Receita Estadual, resolveu sair candidato a prefeito e me convidou para ser candidato a vereador e consegui me eleger.

Paraná Centro - Como era o trabalho do vereador naquela época?

Reinaldo Petrechen - As reuniões aconteciam uma vez por mês, pois como não tinha transporte, os vereadores do interior tinham que vir a cavalo de Nova Tebas, Mato Rico, Santa Maria do Oeste e Boa Ventura do São Roque. Na minha primeira eleição como vereador, Palmital e Laranjal ainda pertenciam a Pitanga. A Câmara era formada por 19 vereadores, mas não tínhamos salário. Alguns andavam até 60 quilômetros a cavalo para participar da sessão. Então, era um dia de vinda para Pitanga, um dia de sessão e outro dia para retornar. Depois que terminei meu primeiro mandato de vereador, sai candidato a prefeito e perdi para o Francisco Costa, por poucos votos. Mas na eleição seguinte, me elegi prefeito; reuni os vereadores e falei que a política tinha acabado e que precisávamos trabalhar pelo crescimento de Pitanga e da região.

Família de Reinaldo Petrechen reunida

Família de Reinaldo Petrechen reunida

Paraná Centro – A que o senhor atribui sua derrota na primeira eleição para prefeito?

Reinaldo Petrechen - Poderia dizer que ele (Francisco Costa) foi um político complicado, era meio radical. Para ele, companheiro era companheiro e adversário era inimigo, e as pessoas também não me conheciam muito bem ainda. Depois que me elegi, acho que fiz um bom mandato. Conseguimos conquistar muitas coisas para Pitanga, como a compra de máquinas, construção do prédio da prefeitura, entre outros..

Paraná Centro - Como era a campanha eleitoral naquela época?

Reinaldo Petrechen - Era uma campanha que a gente fazia conversando com as pessoas, não tinha rádio e propaganda. Quando vinha para Nova Tebas, por exemplo, a gente montava um acampamento e ir percorrendo as propriedades, falando e apresentando as propostas para as pessoas. Consegui me eleger com uma margem significativa de votos, e acredito que fiz uma boa gestão. No primeiro mandato, construí a prefeitura, em 1963, que inclusive está até hoje. Somando meus dois mandatos, construí 170 unidades escolares e, em todas as sede dos distritos, na época, Santa Maria, Mato Rico, Nova Tebas e Boa Ventura, construí uma escola.

Paraná Centro - Como era o trabalho de manutenção das estradas naquela época?

Reinaldo Petrechen - Era uma tarefa muito difícil, mas eu fiz amizade com o pessoal do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), que nos auxiliaram muito; as máquinas vinham ajudar, a prefeitura dava combustível e assistência para os operadores e assim fomos melhorando as estradas. Eu adquiri também 8 motoniveladoras, nos 2 mandatos, e isso ajudou a melhorar a cidade, além disso, conseguimos construir o asfalto na área urbana.

Paraná Centro - Como foi o trabalho para a pavimentação da rodovia que liga Pitanga a Guarapuava?

Reinaldo Petrechen - Conseguimos essa conquista no segundo mandato, pois esse projeto estava encalhado. Quando assumi, não exista o asfalto até Guarapuava, quando chovia e precisava ir para lá, era um sacrifício. Quando chovia a gente nem saía, porque ia ficar na estrada. Eu era amigo do deputado Ary Kfouri, que tinha uma ligação muito boa com o Ministro dos Transportes; e nós tínhamos elegido um deputado estadual, que era o seu Jurandir Messias. Na época, o governador era Canet Júnior e fomos conversar com ele, que nos indicou que a administração era do governo do estado, mas os recursos precisavam vir do Governo Federal, mas ele não estava conseguindo. Conseguimos marcar uma reunião no Ministério do Transporte na época e conseguimos os recursos para pavimentar essa estrada. Durante a reunião, o ministro nos falou que a estrada entre Pitanga e Campo Mourão seria mais cara, porque seria feita em cima das pedras. Mas, mesmo assim, ele liberou cerca de R$ 300 milhões. A última inauguração do Canet foi o trecho entre Campo Mourão até Pitanga. E a partir dessa estrada é que começou o progresso, mas, antes disso, teve uma época em que Pitanga era coberta de pinheiro e tínhamos dezenas de serrarias, mas apenas duas serrarias investiam no município. Depois da exploração da madeira é que os pioneiros vieram para começar o plantio de lavouras.

Paraná Centro - O que ocorreu para o senhor fosse candidato único na segunda eleição?

Reinaldo Petrechen - Saí em alta no meu primeiro mandato e fiz meu sucessor. No entanto, ele sofreu um acidente e o vice-prefeito Otacílio Bittencourt assumiu a prefeitura. Perto da eleição, alguns companheiros me procuraram e falaram que, se eu não fosse candidato, teria uns três ou quatro na disputa, mas, se eu saísse, seria candidato único e foi o que ocorreu. Eu tive uma boa relação com os governadores, deputados federais, deputados estaduais, entre eles o João de Matos Leão, com quem tinha boa relação e iniciamos o trabalho. Nessa época, o governador era o Paulo Pimentel, que era amigo e compadre desse deputado, e começamos a fazer muitas coisas. Uma das primeiras ações foi a expansão da energia elétrica, pois o município tinha uma usina, mas ela não era suficiente para atender a demanda, e para isso fizemos uma parceria com a Copel.

Paraná Centro - O senhor foi um dos sócios fundadores do Sindicato Rural de Pitanga?

Reinaldo Petrechen - A fundação do Sindicato Rural foi por causa dos amigos. Assim como também fundamos uma cooperativa agrícola. Eu tinha essa relação boa com os outros produtores.

Paraná Centro - Como o senhor analisa a situação de Pitanga atualmente?

Reinaldo Petrechen - Acho que Pitanga está muito bem, a chegada da agricultura impulsionou nosso progresso e, hoje, mais de 90% dos produtores rurais moram na cidade e isso também promoveu o desenvolvimento da cidade, com mais construções. Acho que todos os lugares tiveram um bom crescimento.

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