Mauá da Serra tem único museu no Brasil dedicado à história do Plantio Direto

Adalberto Portela e Hermes Witchoff posam para foto ao lado do equipamento de plantio direto

Adalberto Portela e Hermes Witchoff posam para foto ao lado do equipamento de plantio direto

O plantio direto na palha é hoje a principal técnica de semeadura utilizada largamente em toda a agricultura no Brasil. A principal vantagem desse tipo de plantio é manter o solo coberto, que ajuda a segurar a umidade e evitar a erosão, além de compor uma boa camada de matéria orgânica, que garante uma boa fertilidade do solo.

Mas o que muita gente não sabe é que, no Paraná, o município pioneiro na utilização dessa técnica foi Mauá da Serra. A história começou em 1972, quando o agricultor Herbert Bartz, da cidade de Rolândia, realizou uma viagem aos Estados Unidos, onde conheceu o equipamento e importou para o Brasil. Ele tentou iniciar a aplicação da técnica em suas propriedades, mas não havia tratores com potencial suficiente para puxar o implemento.

A informação dos equipamentos chegou aos produtores rurais de Mauá da Serra, Issei Sakamoto, Yukimitsu Uemura e Cândido Uemura, que foram até a propriedade do senhor Bartz para conhecer a técnica e o equipamento. O próprio Bartz indicou a Fábrica Nacional de Implementos, para que os agricultores pudessem encontrar equipamentos mais adequados para implantar o plantio direto.

Eles mesmos montaram uma plantadeira, baseada no que modelo que conheceram em Rolândia e, em 1975, grande parte dos agricultores de Mauá da Serra já usava a técnica e, com isso, a colônia japonesa tornou-se a primeira a implantar de forma coletiva o plantio direto.

A ideia do museu foi idealizada pela Associação Cultural e Esportiva de Mauá (Acem) e pelo grupo de Desenvolvimento de Tecnologias, que apresentaram a proposta para o então prefeito de Mauá, na gestão 2009-2012, Hermes Witchoff, que prontamente acatou a ideia e contribuiu para que ela fosse concretizada. O museu foi inaugurado em novembro de 2012 e, desde então, recebeu a visita de mais de mil pessoas.

Museu funciona de segunda a sexta

Museu funciona de segunda a sexta

O responsável em cuidar do acervo, Adalberto Potela, comenta que o local é visitado principalmente por estudantes de agronomia, principalmente da UEM, UEL e UFPR, além de outras escolas agrícolas.

Para o prefeito de Mauá da Serra, Hermes Witchoff, essa história é um orgulho para Mauá da Serra, principalmente porque esse é o único museu no Brasil dedicado ao plantio direto. Hermes lembrou que quando a ideia foi apresentada pelos integrantes da colônia japonesa, ele buscou junto aos deputados e, com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal, que fosse captados os recursos para a construção do museu. “Hoje, temos uma coisa bonita para guardar em memória e, principalmente, ensinar a população e os visitantes um pouco sobre a nossa história e sobre essa técnica, que é tão importante para a agricultura”, frisou o prefeito.

Witchoff complementa que o plantio direto ajudou no desenvolvimento da agricultura no município, pois os solos não eram os mais produtivos e não despertavam o interesse das pessoas em investir. “Ninguém queria comprar as nossas terras, e quando veio essa técnica, as coisas começaram a melhorar e, hoje, é umas das terras mais produtivas do Brasil e o plantio direto foi o marco para essa história”, comentou.

O museu guarda as primeiras máquinas utilizadas na técnica do plantio direto e também um pouco da história da colônia japonesa do município. Ele está localizado na Rua José Rodrigues da Silva, paralela à Rodovia BR-369, no parque industrial Yukimitsu Uemura e funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 8h00 às 17h00. Grupos grandes podem agendar a visita pelo fone (43) 3464-1920.

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