Estiagem atrasa plantio e deve prejudicar produção do feijão na região

Os produtores Leandro Garbelini e Daniel Marcelino Coelho mostram lavoura de feijão com baixo desenvolvimento. Por: Aldinei Andreis

Os produtores Leandro Garbelini e Daniel Marcelino Coelho mostram lavoura de feijão com baixo desenvolvimento

Fonte: Aldinei Andreis

Com mais de 40 dias sem chuvas fortes, produtores de feijão da região de Ivaiporã estão preocupados com a cultura, que pode ser prejudicada com a estiagem prolongada. A semeadura da primeira safra, popularmente chamada de feijão das águas, acontece entre a segunda quinzena de agosto e a primeira quinzena de setembro, mas passados mais de 10 dias da janela ideal de plantio, agricultores já começam a cogitar a troca de lavoura, em função das dificuldades para a produção. Quem arriscou o plantio no terreno seco, já começa a contabilizar os prejuízos.

Esse é o caso do agricultor Daniel Marcelino Coelho, que plantou 5 alqueires em uma área rural nas proximidades da Vila Monte Castelo, em Ivaiporã. Ele fez o plantio no dia 22 de agosto, mas sem chuvas intensas no período, sua lavoura não está se desenvolvendo da forma ideal. O feijoeiro está bem abaixo do tamanho ideal e muitas plantas estão morrendo pela falta de água. Ele já contabiliza um comprometimento de 20% na produtividade. “É algo que preocupa, pois o feijão é uma lavoura cara e se não chover nos próximos dias, o prejuízo será grande”, avalia o produtor.

Ele comenta que se houver uma normalização no regime de chuvas, a lavoura consegue recuperar parte do seu desenvolvimento, caso contrário o prejuízo pode ser grande. Mesmo com sementes próprias, ele calcula que já investiu cerca de R$ 15 mil no plantio.

Daniel Coelho comenta que conhece muitos produtores que estão aguardando a chuva para realizar a semeadura. Caso do produtor Reginaldo Kczan, que pretende plantar 30 alqueires. Esse atraso no plantio, segundo ele, já vai comprometer a safra seguinte ao feijão. No entanto, caso não chova até o dia 15 de outubro, muitos produtores acabarão desistindo da cultura. “O problema é que a florada iria ocorrer no mês de dezembro, que é muito quente e arrebentaria a produtividade”, disse. Ele acredita que a falta de chuvas, certamente, fará com que muitos produtores procurem alternativas, como a soja, por exemplo.

O Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) de Ivaiporã, fez uma projeção inicial de plantio de 11,5 mil hectares em toda a área de jurisdição do órgão. Praticamente a mesma área do ano anterior. No entanto, segundo o agrônomo Randolfo da Costa Oliveira, essa área deve ser reduzida, em função da estiagem prolongada. “Com a falta de chuvas, muitos produtores vão migrar de cultura”, afirma.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ivaiporã, Donizete Santos Pires, avalia que a preocupação é grande com a falta de chuvas. Principalmente porque quem investe no feijão, pensa em fazer uma segunda safra, seja de milho ou de feijão, e o atraso inviabiliza. “Além disso, o feijão é uma cultura sensível ao calor e à falta de água, e o plantio é caro, pois precisa de muita tecnologia. Acredito que se não houver uma normalização no tempo, muitas pessoas vão desistir dessa lavoura”, disse.

Ele lembra que existem muitas famílias que vivem da agricultura familiar e investem no feijão, mas se demorar a chover, provavelmente, a produção será afetada e isso pode refletir no preço para o consumidor.

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