Jardins da minha vida

A Lapa era quase o jardim na minha infância, cidade muito pequena e todos os moradores, quase parentes. Eu, com meus três anos, ia pelas mãos de mamãe à casa de minha avó Lulú, corria para o jardim, bem português, onde havia de tudo, sem preocupação com canteiros e divisões. Vovó corria atrás da neta que ia tirando botões dos rainunclos (uma flor que ainda não vi aqui) e colocando no aventalzinho. Mamãe olhando e depois as duas conversando. Vovó dizia: “essa menina não se cria, ela gosta muito de flor”. O quintal de minha avó era a quadra inteira, pois sua casa, durante a revolução federalista, foi quartel e depois quando eu já era mocinha, foi clube. Imaginem o tamanho!

Já em casa dos meus pais, o jardineiro Ambrósio mantinha limpos os canteiros e podava as árvores do pomar. Em minha casa foi plantado, pela primeira vez, um canteiro de alcachofras, ninguém conhecia por lá e minha avó trouxe as primeiras sementes do Rio de Janeiro. Ambrósio ficava a semana inteira cuidando de tudo, árvores, verduras, legumes e muitas flores. O canteiro de gérberas era visitado pelas pessoas que vinham de Curitiba, havia de todas as cores e se misturavam aos miosótis azuis e as rosas vermelhas, além dos lírios.

Mais tarde, papai mudou para Curitiba, e fomos morar num sobrado onde não havia uma nesga de terra. Mamãe chamou um amigo que inventou com ela um canteiro na janela da cozinha e ali ela plantava cheiro verde e também uma roseira, bem pequena, mas que fazia a alegria de dona Victória.

Daquele sobrado eu sai casada e fui morar em Sertanópolis e felizmente havia espaço para um jardim e uma pequena horta. O engraçado é que o pessoal de lá não tinha hábito de plantar, a não ser nos sítios e paravam ao lado da casa do agrônomo (meu marido) para ver flores e legumes plantados num espaço tão pequeno. Mais tarde voltamos para Curitiba, e compramos uma casa na Água Verde, Rua Murilo do Amaral Ferreira. Não havia espaço para jardim, mas no fundo uma enorme ameixeira (néspera) ficava frondosa sobre um mesa que servia para churrascos e outra diversões. Ao lado, uma nesga de terra e ali mandei plantar cheiro verde, batatinha e umas duas roseiras. Um dia que papai foi almoçar e eu servi uma salada feita com batatas tiradas do meu enorme quintal... ele riu e disse “você não muda, filha, deveria morar numa fazenda”. Muitas mudanças eu fiz até chegar a Ivaiporã, mas sempre em pequenos ou maiores espaços plantei e fico feliz quando a flores brotam e os cheiros verdes temperam meus almoços. Hoje, na Diva Proença, desafio a terra plantando o que me dá na cabeça e as rosas abrem felizes, as cebolinhas verdes e alegres, os hibiscos vermelhos, os figos, as maçãs (bem miudinhas) e até uma jaboticabeira fazem a minha alegria. Ontem, quando pensava o que dizer para as mães, resolvi que pra cada uma de vocês enviarei uma rosa e um hibisco, e para aquelas que ainda não têm cheiro verde em suas casas, vai um ramo de salsa, cebolinha verde e alecrim. Feliz Dia das Mães pois ele é todos os dias e depende de nós enfeitá-lo e torná-lo perfumado e colorido. Não precisa muito, pode ser até como minha mãe fez em Curitiba, um vaso na janela. Abraços para todas as mães.

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